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NOTÍCIAS SINDICONTASUL
PARABÉNS CONTABILISTAS!
A FALTA QUE OS
CONTABILISTAS FAZEM
Exatamente no momento em
que a classe dos contabilistas parece estar desprestigiada, motivada
pela política econômica do governo e sua reforma administrativa, nós,
do CRCBA - Conselho Regional de Contabilidade do Estado da Bahia, da 6ª
Delegacia do CRCBA em Itabuna e do SINDICONTASUL - Sindicato dos
Contadores e Técnicos em Contabilidade do Sul do Estado da Bahia, nesta
data maior do contabilista, convocamos os colegas de todo o estado e
autoridades dos órgãos públicos tributantes das esferas municipal,
estadual e federal a meditarem e refletirem sobre o que descreveu o
ilustre jornalista Carlos Chagas a respeito dos contabilistas, no Jornal
Diário da Amazônia, edição de 02/03/99, Porto Velho - RO.
"Patronos e expoentes da profissão a parte, com todo respeito a
Luca Pacioli, devemos buscar o primeiro contabilista do mundo naquela
tribo de trogloditas perdida numa caverna de um continente qualquer.
Mesmo submisso ao chefe guerreiro que brandia a clava com mais força do
que os outros, ainda que temeroso do esquálido feiticeiro que anunciava
falar com o Deus do Trovão, foi um contabilista que por mais de uma vez
salvou sua tribo da extinção.
Coube a ele calcular que o número perigosamente se aproximando para
atacá-los era inferior ao número de pedras de que dispunham, prevendo
a vitória se elas fossem roladas ao mesmo tempo, ladeira abaixo, sobre
os adversários. De outra feita, Quando a fome grassava, verificou que
se cada um comesse apenas duas batatas por dia, do monte que havia
sobrado, todos sobreviveriam até a próxima colheita.
Ninguém duvida de Terem sido os contabilistas, ainda sem nome e
diploma, aqueles que calcularam quantas centenas de milhares de blocos
seriam necessários para que Queops, Quefrem e Miquerinos vissem
erigidos os monumentos a sua glória, no deserto do Egito.
Sem contabilistas não haverá civilização, ou, pelo menos, a
civilização demoraria mais a florescer.
Artífices impessoais da evolução da humanidade, eles sempre se viram
marginalizados pelos que se apropriavam dos resultados de seu
imprescindível trabalho de calcular.
Os guerreiros, feiticeiros, arquitetos e hoje economistas, Quantos se
sucedem na tarefa de tomar-lhes os merecidos méritos?
A Santa Ceia não existiria sem Luca Pacioli, que calculou a perspectiva
do local e dos comensais nos mínimos detalhes, mas quem não se lembra
de Leonardo, quando se refere à obra maravilhosa?
Todo esse preâmbulo se faz para chegarmos aos tempos modernos e a mesma
humilde postura dos contabilistas diante de quantos conseguem
surrupiar-lhes o trabalho e os méritos. Pois se um banco apresenta
lucro e superávit em suas operações, é do banqueiro a fotografia que
os jornais publicarão.
Se um governo obtém sucesso no combate a inflação, exaltada será sua
equipe econômica, ainda que a recíproca também surja verdadeira e,
diante do fracasso, irá mesmo para o merecido Pelourinho o respectivo
Ministro da Fazenda.
O trabalho anônimo do contabilista não aparece nas comemorações que
celebram o crescimento das empresas. Nem no alerta a respeito de
dificuldades no comércio e na indústria. O profissional de
contabilidade some das estatísticas sobre a melhoria dos serviços
públicos. Nos sindicatos, nas associações de classe, até nos clubes
de futebol, como na mídia, os contabilistas constituem a pedra angular,
o tijolo de sustentação das expansões ou dos enxugamentos.
O que se trata demonstra nestas referências, e que nada ou muita pouca
coisa funcionaria sem essa categoria tão modesta quanto necessária,
que não aparece mas está para a sociedade como o oxigênio para os
pulmões.
Nesses tempos bicudos, ouve-se falar de greves em todos os setores. Dos
metalúrgicos aos jornalistas, dos pilotos de avião aos bancários,
motoristas, trocadores, servidores públicos, até das esposas paulistas
do século dezessete, com relação as obrigações para com seus
maridos.
Já imaginaram se os contabilistas também paralisassem suas atividades?
Se, pelos modestos rendimentos ou pela falta de reconhecimento,
decidissem entrar em greve? Estaria decretado o caos, senão universal,
ao menos no planeta.
Por isso os contabilistas são credores de todos nós. E não se duvide:
será para eles que o governo irá apelar quando, num futuro não muito
distante, tiver que reduzir os juros obscenos pagos ao capital
especulativo; estabelecer limites a esse capital, determinando quanto
tempo precisará ficar aqui ser astronomicamente taxado; rever
privatizações desmedidas e a alienação do patrimônio nacional;
restabelecer direitos sociais surrupiados da classe assalariada e erigir
barreiras a importação de supérfluos.
Sendo assim, haverá que solicitar dos contabilistas mais sacrifícios,
mais capacidade de engolir sapos, mais altruísmo. Coisa a que
certamente não vão se negar, porque não se tem negado desde que
aquele nosso ancestral salvou a tribo do ataque dos adversários, da
fome e da enchente."
CRCBA - CONSELHO
REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DA BAHIA
ERIVALDO PEREIRA BENEVIDES
6ª DELEGACIA DO CRCBA EM ITABUNA
JESUÍNO DE SOUZA OLIVEIRA E ÉRICO FERNANDO VELÔSO DULTRA
SINDICONTASUL
WELINGTON MENEZES FERRAZ E ANTONIO FERNANDO LIMA DOS SANTOS
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